Foi estranho não ligar no seu aniversário.
Sempre foi uma obrigação solene, militar.
Ele sempre fez questão de ser o primeiro a ligar para todos
No dia do aniversário.
Claro que esperava o retorno!
Sabia fazer piadas, proferir palavras doces
Distribuir balas, lá fora...
Eu conheci sua outra face, com a qual convivi,
E aprendi a tolerar e respeitar.
Esse respeito dificil de engolir esperava sempre por um
jeito
De ser livre do jugo.
Um dia fugi, voltei, me rendi.
Saí novamente, cresci, venci.
Superei as expectativas dele.
Um dia ele teve até orgulho de mim.
Era o que ele tinha em excesso, orgulho.
Um dia ele se foi, ligeiro...
Eu me surpreendi, pois sempre achei que teríamos
Mais tempo para resolver o que ficou pendente.
Mas não, tenho que resolver tudo sozinha agora.
Enterrar o que me fez como sou.
E agora?
Para onde vou?